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Insuficiência Cardíaca

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Editor: Hélcius J. C. Vale

Colaboradores: Francisco V. Moreira e Jean P. Griebeler


DEFINIÇÃO Editar

É o comprometimento da função de bombeamento do coração, por múltiplas causas, que resultará numa diminuição do volume de sangue que sairá do coração, não atendendo integralmente à demanda de sangue de todo o organismo.



A doença pode ser aguda (causa súbita) ou crônica (uma ou mais causas que progressivamente se agravam e induzem a disfunção cardíaca). A progressão do problema leva a dois fins: insuficiência cardíaca compensada e descompensada.

A primeira ocorre quando a resposta do organismo consegue suprir a capacidade de bombeamento diminuída, através da estimulação do sistema nervoso simpático, que irá ativar mecanismos com intuito de reverter a situação de baixa pressão que é inicialmente instalada no organismo. São duas as principais respostas do corpo. Se o músculo cardíaco for danificado, ocorrendo perda parcial de sua função, haverá estimulação excessiva, por parte do sistema nervoso simpático, para que haja maior força de contração na área afetada, o que pode induzir a volta ao normal do volume de sangue que vai para a circulação após o bombeamento. Outro mecanismo dessa estimulação irá agir nos vasos sanguíneos, aumentando o tônus muscular destes. Assim a pressão, principalmente nas veias, fica aumentada, o que eleva o volume de sangue que chega ao coração. Com esse processo maior volume é bombeado de volta a circulação, amenizando a pressão que estava baixa demais, podendo acarretar em disfunções de órgãos vitais.

Na segunda, o defeito cardíaco permanece, comprometendo o funcionamento do organismo podendo, se não tratada, levar ao óbito.


ESTÁGIOS DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA Editar

A doença é dividida em três estágios.

A: neste o paciente ainda não apresenta a patologia, porém já há o risco de desenvolver a insuficiência cardíaca. Essa fase inclui indivíduos com hipertensão, diabetes, obesidade, alcoólatras, parentes com história de doença do coração e algum grau de aterosclerose.

Estruturas do coração.jpg

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B: nesse estágio o paciente ainda não apresenta os sintomas mas já possui alguma anormalidade estrutural cardíaca predisponente para a insuficiência cardíaca. São os indivíduos que já desenvolveram Infarto do miocárdio (musculatura do coração) em alguma fase da vida ou com hipertrofia do ventrículo esquerdo (aumento anormal da musculatura dessa câmara cardíaca).

C: no último estágio os pacientes apresentam os sintomas. Através de tratamento, podem ser relativamente assintomáticos, entretanto ainda pertencem ao estágio mais grave.

A taxa de mortalidade de pacientes diagnosticados com a doença oscilou entre 6% e 7%, no Brasil nos últimos anos a partir de 2003¹.


PRINCIPAIS CAUSAS Editar

Pacientes que apresentam síndrome metabólica (aumento da cintura abdominal, hipertensão arterial sistêmica, hiperglicemia, resistência insulínica, que predispõe a diabetes, e dislipidemia, que diminui o chamado “bom colesterol” no organismo) podem estar predispostos a desenvolver cardiopatias, devido a grande relação existente entre elas (referência 4)

Sobrecarga crônica da pressão: Hipertensão

Dos fatores modificáveis, a pressão arterial elevada é a que mais contribui com o risco de desenvolvimento de insuficiência cardíaca¹. A pressão arterial considerada alta é a de valores acima de 120/80 mmHg. Porém esse valor é ainda estudado. A hipertensão é causada, principalmente, por fatores como consumo excessivo de sal por vários anos, alcoolismo e obesidade. O tratamento da hipertensão, com foco na pressão sistólica (pressão de contração das câmaras cardíacas necessária para o bombeamento de sangue), reduz a incidência da insuficiência cardíaca em 50%¹.

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Função sistólica (contração das câmaras cardíacas para bombeamento de sangue) alterada: Infarto Agudo do Miocárdio

O infarto agudo do miocárdio é a principal causa de disfunção sistólica e consiste na redução na capacidade de bombeamento de sangue pelo coração devido a falta de fluxo sanguíneo e oxigenação para alguma área do músculo cardíaco. Assim, o débito cardíaco (quantidade de sangue bombeado para a artéria aorta e, consequentemente, para a circulação, a cada minuto) fica diminuído. Ocorre, também, acúmulo de sangue nas veias pois, nessa situação, o sangue que chega ao coração não é mais expulso com a mesma eficiência. Portanto, o volume que chega ao coração por minuto é maior do que o que sai. O coração recuperado de um infarto intenso fica, na maioria das vezes, com a capacidade de bombeamento reduzida permanentemente².

Arritmias

Lesões prévias que caracterizem arritmias (alterações de frequências dos batimentos ou batimentos descoordenados) são fatores de grande relevância na predisposição a insuficiência cardíaca³


Avitaminose: Beribéri

O beribéri (falta de vitamina B1 no organismo) é uma condição que resultará no enfraquecimento do coração com consequente redução do volume de sangue bombeado.

Anemia

É uma doença caracterizada pelo déficit de distribuição de oxigênio pelas hemácias aos tecidos. A hipóxia (redução da disponibilidade de oxigênio aos tecidos) causa a dilatação dos vasos sanguíneos periféricos, o que aumenta o volume de sangue que chega ao coração e, assim, também o débito cardíaco (volume de sangue que é ejetado pelo coração por minuto). Esse fato leva a uma sobrecarga do bombeamento cardíaco. Além disso, no exercício físico, a demanda de oxigênio pelos tecidos aumenta muito, gerando uma hipóxia tecidual extrema, o que também é um fator para insuficiência cardíaca.

Necessidade metabólica aumentada

Devido a algumas doenças como, por exemplo, o hipertireoidismo, o metabolismo do corpo pode estar tão elevado, demandando oxigênio e nutrientes em excesso para a função normal das células, que o coração é estimulado a aumentar seu funcionamento, com intuito de induzir maior fluxo sanguíneo pelos vasos, num grau em que, a longo prazo, resulta em insuficiência cardíaca.




O envelhecimento é, também, um fator predisponente para o desenvolvimento dessa patologia cardíaca. Com o passar dos anos principalmente as doenças circulatórias, que são comuns em idosos, levam a uma predisposição a doenças cardíacas.


SINAIS E SINTOMAS Editar

Os sinais mais facilmente visíveis são dispneia (falta de ar), intolerância ao exercício físico, edema de membros inferiores e fadiga.

Dispnéia

É o sintoma mais comum da insuficiência cardíaca. Devido ao volume diminuído de sangue que sai do coração (e volume normal que chega) nessa patologia, há um maior enchimento do ventrículo esquerdo e, consequentemente, de todas as outras câmaras cardíacas. Antes de chegar ao átrio esquerdo o sangue passa pelos capilares pulmonares. Estes estão com o volume de sangue aumentado e, assim, com as pressões em suas paredes também aumentadas. Devido a essa alteração há extravasamento de líquido para os alvéolos pulmonares. Esse fato pode elevar o trabalho respiratório, levando à sensação de falta de ar.

Intolerância ao exercício físico

Ocorre por disfunção do pulmão, parcialmente impossibilitado de captar mais oxigênio, necessário quando aumentamos a taxa metabólica do organismo num exercício. Essa dificuldade também pode ocorrer por redução do fluxo sanguíneo para os músculos, que acontece quando a função do coração está comprometida. Edema de membros inferiores A quantidade excessiva de líquido no espaço intercelular, com aspecto de inchaço, é mais comum nos pés e tornozelos. É originada do aumento da pressão na rede venosa, característica da insuficiência cardíaca. A posição ortostática (em pé) ou sentada contribui para que esse sinal seja mais frequente em membros inferiores.

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Edema de membros inferiores

A quantidade excessiva de líquido no espaço intercelular, com aspecto de inchaço, é mais comum nos pés e tornozelos. É originada do aumento da pressão na rede venosa, característica da insuficiência cardíaca. A posição ortostática (em pé) ou sentada contribui para que esse sinal seja mais frequente em membros inferiores


Fadiga

Essa sensação de cansaço talvez tenha sua origem mais comum na fadiga muscular³.


RELAÇÃO COM OUTRAS DOENÇAS Editar

Diabetes

Pessoas diabéticas desenvolvem aterosclerose, arterioesclerose e doença coronariana mais facilmente que as saudáveis². Esses são alguns dos fatores de risco para desenvolvimento da pressão arterial elevada. Assim, o diabético tem uma predisposição a desenvolver insuficiência cardíaca em algum momento da vida.


Obesidade

A maior parte das pessoas com hipertensão apresenta excesso de peso². Uma das causas para a influência da obesidade no aumento da pressão arterial é o aumento do volume de sangue bombeado pelo coração por minuto, necessário para suprir a maior quantidade de tecido adiposo (que reserva o excesso de gordura) que existe em indivíduos muito acima do peso recomendado. A hipertensão a longo prazo nessas pessoas pode levar a insuficiência cardíaca.


Doença coronariana

São doenças que acometem as artérias coronárias, que suprem a musculatura cardíaca. Quando essas são obstruídas, a disponibilidade de oxigênio e nutrientes para o músculo do coração fica insuficiente para que a contração ocorra normalmente na área cardíaca que era abastecida pelas artérias coronárias afetadas. Assim, a pressão do fluxo de sangue que chega ao ventrículo esquerdo (última câmara cardíaca antes da circulação sistêmica ou do resto dos vasos sanguíneos do corpo) fica diminuída e, portanto, quando ocorre o bombeamento, o sangue não consegue suprir todas as áreas periféricas da circulação.

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Arterioesclerose

Essa doença caracteriza-se pela formação de placas de gordura nas paredes dos vasos sanguíneos. O acúmulo dessas placas nos vasos levam, principalmente, a um enrijecimento das artérias, deixando-as mais “endurecidas”². Devido a isso as artérias, que já têm pouca distensibilidade, perdem ainda mais essa característica e se tornam pouco flexíveis (ao lado, microscopia mostrando um vaso parcialmente ocluído, gerando enrijecimento). Assim, a capacidade desses vasos de suportar uma pressão se torna menor e, por isso, com a progressão e piora da doença, a pressão arterial se eleva cada vez mais. Com o passar dos anos, a arterioesclerose é um fator que contribui com a hipertensão, que é um fator de risco para a insuficiência cardíaca


Alcoolismo

Uso abusivo de álcool pode ser um importante fator predisponente para a insuficiência cardíaca¹.


PREVENÇÃO Editar

Para prevenir a insuficiência cardíaca, alguns hábitos de vida devem ser analisados para torna-los mais saudáveis. Ações benéficas para o corpo como exercícios aeróbicos, evitar tabagismo e alcoolismo, controlar o peso visando evitar o sobrepeso ou obesidade são essenciais para reduzir o risco da doença.


TRATAMENTO Editar

Não há um tratamento específico para a insuficiência cardíaca. Ele consiste em ações conjuntas que amenizem as causas da doença. Qualquer tratamento para a hipertensão ou para redução do risco de infarto do miocárdio faz parte do manejo para a melhora da insuficiência cardíaca. Também está relacionado o tratamento de arritmias cardíacas. O uso de fármacos diuréticos também pode ser utilizado com o intuito de reduzir a retenção excessiva de água, aliviando os edemas periférico e pulmonar. A sensação de falta de ar é amenizada com este tipo de tratamento.


REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS Editar

1. Cecil: Tratado de Medicina Interna. Goldman, Lee. Ausiello, Dennis.

2. Tratado de Fisiologia Médica. Guyton, Arthur. Hall, John.

3. Harrison Medicina Interna. Braunwald, Eugene; Fauci, Anthony S.; Kasper, Dennis L.; Longo, Dan L.; Jameson, J. Larry; Hauser, Stephen L.

4. Associação da Síndrome Metabólica e seus Componentes na Insuficiência Cardíaca Encaminhada da Atenção Primária. Autores: Flávio Augusto Colucci Coelho, Marco Aurélio Espósito Moutinho, Verônica Alcooforado de Miranda, Leandro Reis Tavares, Maurício Rachid, Maria Luiza Garcia Rosa, Evandro Tinoco Mesquita


LINKS RELACIONADOS Editar

http://www.metodomaisvida.com.br/wp-content/uploads/2009/09/hipertrofia_ventricular_esquerda_o_caminho_para_a_insuficiencia_cardiaca.pdf

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0103-21002008000200002&lng=en&nrm=iso&tlng=pt

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?265

http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0066-782X1998001000014&script=sci_arttext&tlng=en

http://www.scielo.br/pdf/%0D/abc/v71n1/a04v71n1.pdf

http://www.scielo.br/pdf/abc/v84n3/a08v84n3.pdf

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