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Autora: Carolina Elisa Froldi Vieira.

Colaboradoras: Anelise Darabas dos Santos, Fernanda Carolina Cani de Souza e Leticia Janice Bertelli.


Conceito Editar

A Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica (DPOC) é uma doença prevenível e tratável, caracterizada por constante limitação do fluxo de ar, com presença de tosse produtiva e dificuldade de respirar. Normalmente ocorre de maneira progressiva e é associada a uma resposta inflamatória crônica das vias aéreas e dos pulmões a partículas ou gases prejudiciais, como exposição à fumaça do cigarro.


Relação da DPOC com bronquite crônica e enfisema pulmonar Editar

O termo DPOC ainda é muito mal entendido, tanto pelos pacientes quanto pelos médicos. Desta forma, a Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica geralmente está associada aos termos “bronquite crônica” e “enfisema pulmonar”, sendo que o primeiro descreve as características clínicas da doença e o segundo as características estruturais.


Figura 01 DPOC

Fonte: http://www.drpereira.com.br/dpoc.htm



A bronquite crônica é definida pela presença de expectoração por tempo prolongado, pelo menos três meses ao ano, em dois anos sucessivos, depois de descartadas outras causas capazes de produzir expectoração crônica.




Figura 02 DPOC

Fonte: http://www.drpereira.com.br/dpoc.htm



O enfisema é o alargamento anormal e permanente nos alvéolos pulmonares, onde ocorre a troca gasosa, acompanhado de destruição de suas paredes, sem fibrose óbvia.




O enfisema está intimamente associado à hiperinsuflação dinâmica, ou seja, a redução da retração elástica do tecido pulmonar, que causa a lentificação do fluxo aéreo e o aprisionamento do ar na caixa torácica. Tal situação interfere na função do diafragma e gera aumento do trabalho respiratório e do gasto de energia para realizá-lo, sendo fisicamente ilustrada como dificuldade ao respirar (dispnéia).

Entretanto, bronquite crônica e enfisema pulmonar não definem a doença com relação ao seu aspecto mais importante: a obstrução do fluxo aéreo.


Apresentação clínica Editar

O estereótipo do portador de DPOC é aquele indivíduo com idade superior a 40 anos e tabagista de longa data (fumou, em média, mais de um maço/dia por 20 anos), que apresenta sintomas respiratórios crônicos, como:

1 – Tosse: Inicialmente o paciente apresenta tosse pela manhã, que pode ser produtiva ou não. Com a passagem dos anos, ela passa a ser produtiva e constante, sendo que na maior parte do tempo o aspecto da secreção é mucoide.

2 – Dispnéia: A dificuldade ao respirar apresenta-se inicialmente aos grandes esforços. Nesta fase, em função do sedentarismo, é comum o paciente atribuir a sua falta de ar “à idade”. Com o passar dos anos, entretanto, este sintoma pode estar presente aos esforços das atividades da vida diária, somente então há a valorização do sintoma e ida ao médico, fato que contribui para o atraso do diagnóstico.

3 – Sibilância: é um ruído semelhante a um assobio agudo presente nos órgãos respiratórios principalmente ao inspirar, de intensidade variável, podendo estar ausente em alguns pacientes.

Exacerbações, efeitos extrapulmonares e simultâneas alterações contribuem para a gravidade nos pacientes individualmente.


Exacerbações Editar

As exacerbações da DPOC são eventos de caráter agudo que acontecem no curso natural da doença, caracterizadas pela intensificação nos sintomas habituais do paciente (tosse, dificuldade de respirar e expectoração), e por variações normais do dia-a-dia, que podem resultar na necessidade de alteração na medicação do paciente.

A mais importante exacerbação é a mudança e o aumento das inflamações das vias aéreas, que contribui para a diminuição da função pulmonar do paciente, afetando desde a qualidade de vida até o prognóstico do mesmo.


As exacerbações são classificadas em 03 tipos, sendo o tipo 01 o mais grave:

Tipo de Exacerbação

Sintomas

Tipo 01

Aumento do volume do escarro

Presença de pus no escarro

Aumento da dificuldade em respirar

Tipo 02

02 dos 03 sintomas

Tipo 03

01 dos 03 sintomas

Fonte: CARVALHO, E. V.; JARDIM, J. R.; OLIVEIRA, J. C. A. DPOC: Exacerbação.


Este evento pode ser de origem respiratória, incluindo infecção respiratória, poluição ambiental, câncer pulmonar e o uso de fármacos ou álcool, ou de origem não respiratória, devido à insuficiência cardíaca, traumatismos, desnutrição, ansiedade e pânico.


As infecções respiratórias são responsáveis por 50% a 70% das exacerbações da DPOC, sendo os agentes mais frequentes:

Bactérias (30% a 50%)

Vírus (30% a 65%)

Haemophilus influenzae (20% a 30%)

Rhinovirus (20% a 25%)

Streptococcus pneumoniae (10% a 15%)

Parainfluenza (5% a 10%)

Moraxella catarrhalis (10% a 15%)

Influenza (5% a 10%)

Modificado de: CARVALHO, E. V.; JARDIM, J. R.; OLIVEIRA, J. C. A. DPOC: Exacerbação.


É importante concluir, portanto, que a vacinação contra a gripe, contra o vírus influenza e o pneumococo são medidas importantes para prevenir tais agravações.


Origem Editar

A DPOC é resultado da interação entre os fatores genéticos e os ambientais.

Ainda não estão bem esclarecidos quais cromossomos são os responsáveis por tal predisposição. Entretanto, uma causa, embora rara, de origem genética bem documentada para o surgimento da DPOC é a deficiência de alfa-1 antitripsina, cuja principal ação é a inibição da elastase produzida pelos neutrófilos, que tem a capacidade de destruir a elastina pulmonar através da digestão.

Dentre os fatores ambientais envolvidos, o principal envolve o tabagismo. Relatos confirmam que 80% a 90% dos casos de DPOC ocorrem em fumantes ativos por mais de 20 anos. Das outras causas citam-se a inalação da fumaça originada da combustão da lenha, utilizada em fogões domésticos, de produtos químicos e poeiras ambientais.


Diagnóstico Editar

O diagnóstico clínico da DPOC deve ser considerado em qualquer paciente com dificuldade em respirar, tosse crônica ou produção de muco, e/ou uma história de exposições a fatores ambientais de risco para a doença.

Apesar de ser uma parte importante nos cuidados do paciente, um exame físico raramente diagnostica esta enfermidade, pois sinais físicos de limitação do fluxo aéreo geralmente não estão presentes até que alguma deficiência pulmonar significante tenha ocorrido.

O diagnóstico deve, então, ser confirmado por espirometria, que avalia a limitação do fluxo aéreo. Desta forma, este teste mede o volume do ar exalado forçadamente do máximo ponto de inspiração (capacidade vital forçada – CVF) e o volume de ar exalado durante o primeiro segundo dessa manobra (volume expiratório forçado em um segundo – VEF1).

A relação dessas duas medidas (VEF1/CVF) deve ser calculada e comparada aos valores de referência, que consideram a idade, altura, sexo e raça do paciente.


Valores de Referência Nacional

Distúrbio

VEF1

CVF

VEF1/CVF

Leve

60%

60%

60%

Moderado

41% – 59%

51% – 59%

41% – 59%

Grave

≤ 40%

≤ 50%

≤ 40%

Fonte: Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Projeto Diretrizes: Testes de Função Pulmonar.


Também podem ser realizados, em casos específicos, para auxiliar na confirmação do diagnóstico: radiograma do tórax, gasometria arterial e triagem para deficiência de alfa-1 antitripsina.


Tratamento usual Editar

Os broncodilatadores são a base do tratamento dos pacientes sintomáticos, pois promovem a broncodilatação, melhorando o esvaziamento pulmonar e reduzindo a hiperinsuflação dinâmica causada pelo enfisema, tanto durante o repouso quanto no exercício.

São administrados preferencialmente por via inalatória, pois, desta forma, o fármaco se deposita diretamente sobre a mucosa respiratória e é rapidamente absorvido, permitindo dosagens pequenas e rápido início de ação.

Os dispositivos mais utilizados para este fim são: nebulizadores, sprays ou “bombinhas” e inaladores de pó, escolhidos de acordo com a preferência do paciente e na capacidade deste em utilizar corretamente o aparelho.


Figura 03 DPOC

Fonte: http://tudosobreasma.wordpress.com








Para pacientes com quadro clínico avançado e que já façam uso de broncodilatadores, é indicada a utilização, uma vez ao dia, do Roflumilast, o primeiro fármaco específico para o tratamento da DPOC. Este fármaco possui ação anti-inflamatória, tratando os sintomas de tosse e excesso de muco característicos.

Entretanto, também é essencial que os pacientes com DPOC compreendam a natureza da doença, os fatores de risco para a progressão e o papel e a função dos profissionais de saúde para alcançar ótimos resultados. Assim, a educação do paciente é de extrema importância para maior índice de adequação ao tratamento, que inclui uma série de tratamentos não-farmacológicos, como manter uma rotina de exercícios após ter frequentado um programa de reabilitação pulmonar, orientações nutricionais e abandono do hábito de fumar.


Alternativas para casos graves Editar

Em situações especiais, na qual o paciente encontra-se em estágios graves da DPOC, podem ser necessárias medidas adicionais ao tratamento, que incluem: oxigenioterapia prolongada e/ou suporte ventilatório, bem como intervenções cirúrgicas, como bulectomia (retirada de bolhas que dificultam a troca gasosa, em casos de enfisema), cirurgia redutora de volume pulmonar (ressecamento de partes do pulmão para reduzir a hiperinsuflação) ou, em casos extremos, transplante pulmonar.


Referências bibliográficas Editar

CARVALHO, E. V.; JARDIM, J. R.; OLIVEIRA, J. C. A. DPOC: Exacerbação. Publicado em: http://www.pneumoatual.com.br. Fev, 2011.

Global Initiative for Chronic Obstructive Lung Disease (GOLD): Estratégia Global para Diagnóstico, Condução e Prevenção da Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Bethesda: National Institutes of Health, National Heart, Lung, and Blood Institute; 2006.

GOLDMAN, Lee; AUSIELLO, Dennis. Cecil – Tratado de Medicina Interna. 22ª ed. Rio de Janeiro: Editora Elsevier, 2005.

JARDIM, José R.; OLIVEIRA, Júlio C. A. DPOC: Doença estável. Publicado em: http://www.pneumoatual.com.br. Jan, 2011.

Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Associação Médica Brasileira e Conselho Federal de Medicina – Projeto Diretrizes: Testes de Função Pulmonar. Disponível em: http://www.projetodiretrizes.org.br/projeto_diretrizes/090.pdf

Sociedade Brasileira de Pneumologia e Tisiologia. Consenso de Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica. Jornal de Pneumologia 2004;30:S1-S42.


Links relacionados Editar

http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?157&-doenca-pulmonar-obstrutiva-cronica

http://www.sociedadeclementeferreira.org.br/images/DPOC2.pdf

http://www.mdsaude.com/2010/04/dpoc-enfisema-bronquite-cronica.html

http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,dano-respiratorio-mata-mais-no-pais,725988,0.htm

http://pulmaosarss.wordpress.com/2011/03/05/fda-aprova-nova-droga-para-dpoc-roflumilast/

http://www.dpoc.org.br/

http://health.nytimes.com/health/guides/disease/chronic-obstructive-pulmonary-disease/overview.html?WT.z_gsac=1

http://www.goldcopd.org/

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