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Autora: Natasha Zemczak

Colaboradores: Emelie Otilia Fischer, Jessica Cunha de Almeida e Valmir João de Souza Filho

Introdução: Editar

A diabetes Mellitus do tipo I (DM) caracteriza-se por ser uma doença auto-imune (Quando o próprio sistema de defesa do corpo humano age contras as próprias células); em que as pessoas não produzem insulina e possuem as taxas de glicemia acima do normal estabelecido (menor que 100 mg/dl em jejum e 120 mg/dl duas horas após uma refeição), sendo assim uma doença que não tem cura.

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Fonte:http://www.hospitalsiriolibanes.org.br/hospital/especialidades/nefrologia-dialise/area-atuacao/Paginas/nefropatia-diabetica.aspx


No Brasil, cerca de 7,6% das pessoas entre 30 e 69 anos possuem diabetes. Metade dos pacientes não sabem que possuem a doença e 24% dos pacientes portadores da doença não realizam nenhum tipo de tratamento.

O tratamento realizado para o controle do diabetes mellitus tipo I acontece através da união de três fatores: Uso da insulinoterapia (O paciente recebe aplicações de insulina); realização de uma dieta balanceada e realização de exercício físicos (Aumenta a absorção de insulina pelas células). Esse tratamento é utilizado para manter as taxas de glicemia entre 70 e 120 mg/dl antes das refeições e entre 100 e 160 mg/dl após as refeições.

Os pacientes que não seguem o tratamento,como conseqüência, não conseguem manter os níveis de glicemia dentro dos padrões estabelecidos.Como resultado, desenvolvem complicações crônicas que são as principais responsáveis pelas seqüelas e mortes dos pacientes portadores da doença. As principais complicações são: Nefropatia diabética, neuropatia diabética, retinopatia diabética, pé diabético, infarto do miocárdio e acidentes vasculares cerebrais.

Nefropatia diabética Editar

Na nefropatia diabética ocorrerá lesões nos vasos sanguíneos dos rins. Assim, o órgão terá problemas para desenvolver a sua função de filtração (Filtrar os produtos gerados pelo corpo, para separar o que deve ser eliminado e o que deve ser reabsorvido para o organismo.), perdendo a capacidade de filtrar o que é necessário. Com essa falha na filtração; ocorrerá a passagem de proteínas,o que não acontece em um rim com funcionamento normal, as quais se acumularão na urina, caracterizando a situação chamada de proteinúria.

A doença é responsável pela morte de 30 a 35% dos pacientes. Contudo, se detectada, essa complicação pode ser controlada. Além disso, exames podem ser feitos para detectar o problema logo no início.

Uma das principais proteínas que circulam no sangue é a Albumina. No início da nefropatia diabética, essa proteína aparece na urina em pequenas quantidades. Para detectar a doença nessa fase, realiza-se o exame chamado microalbuminúria, que irá medir a quantidade de proteína albumina na urina. Se o exame apresentar um resultado maior que 30 mg em uma amostra de urina em 24 horas, caracteriza-se a lesão no rim.

Quando a complicação não é descoberta, pode desenvolver para a insuficiência renal, que caracteriza a perda de função do rim.

A forma de prevenção para a nefropatia consiste em realizar um controle glicêmico adequado.

O tratamento realizado dependerá da fase da doença. Em pacientes que estejam apenas com a microalbuminúria alterada, a regulação da taxa de glicemia é suficiente para que não ocorra uma piora na função renal. Se o paciente desenvolver uma insuficiência renal, será necessário a realização de diálise.

Neuropatia Diabética Editar

A neuropatia diabética também é causada pelos altos níveis de glicemia e consiste em problemas no sistema nervoso. Nessa complicação, os nervos não são capazes de transmitir sinais.


Os sintomas da neuropatia variam entre os pacientes. Normalmente o principal sinal caracteriza-se por formigamento nas extremidades. Alguns pacientes não apresentam sintomas, enquanto que outros apresentam incômodos como dores, formigamento e adormecimento.

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Fonte: http://caioneves.blogspot.com/2010_12_01_archive.html

Quando a neuropatia afeta várias partes do corpo, ela é chamada de neuropatia difusa (também conhecida como neuropatia aguda); e quando ela afeta apenas um nervo em um determinado local, é chamada de neuropatia local.Outro tipo de neuropatia é a periférica, em que os nervos dos braços e das pernas são os afetados.

Os exames para detectar a complicação, são realizados durante o exame físico, em que o médico irá conferir os reflexos, a força muscular e a sensibilidade das extremidades. Podem também ser realizados exames como: estudo da condução do nervo, eletromiografia, ultra-som e biópsia do nervo.


Para prevenir, é necessário o controle glicêmico, a realização de exercícios físicos, parar de fumar e parar de ingerir bebidas alcoólicas.


O tratamento consiste em medidas: Controlar a glicemia e fazer o tratamento da dor, utilizando antidepressivos tricíclicos, analgésicos opióides e anti-convulsivantes.

Retinopatia Diabética Editar

A Retinopatia diabética caracteriza-se por lesões nos vasos sanguíneos dos olhos. Essas lesões podem causar pequenos sangramentos, que podem levar a perda da visão. A cegueira em pessoas entre 20 e 74 anos tem como principal causa o diabetes, sendo mais observado após pelo menos 15 anos de doença presente.

Essas lesões são causadas por falta de oxigênio no tecido ocular e por perda da auto-regulação nos vasos da retina, decorrentes do aumento de glicemia. Como conseqüência, pode ocorrer passagem do líquido de dentro de vaso para o espaço interno do olho, prejudicando a visão.

O principal exame realizado chama-se fundo de olho, e normalmente é realizado de ano em ano para o controle e monitoração. Nesse exame poderão ser observadas pequenas alterações nos vasos sanguíneos oculares, possibilitando o tratamento logo na fase inicial do problema.
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Fonte: http://diabetesunb.blogspot.com/2011/06/retinopatia-diabetica.html

As lesões que ocorrem no início são as mais comuns e chamadas de não-proliferativas, sendo que geralmente não causam dificuldades na visão. O principal sinal dessa fase é chamado de microaneurisma (pequenos pontos vermelhos). Também pode ocorrer sangramentos na retina e morte de algumas fibras nervosas. As lesões proliferativas são mais incomuns e caracterizadas pela proliferação de vasos sanguíneos na superfície do nervo óptico e da retina. Essas lesões costumam ser as mais graves e agressivas, pois se vazamento de sangue, surgirão pontos escuros no campo de visão.

Para prevenir a retinopatia, é necessário um controle glicêmico adequado e a realização anual do exame de fundo de olho.

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Fonte:http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/1544/fundo_de_olho.htm


O tratamento com fotocoagulação está sendo usado na prevenção da perda de visão e na terapia de alterações da retina. Quando ocorre hemorragia ou deslocamento de retina, pode ser realizado o tratamento cirúrgico chamado vitrectomia.


Pé diabético Editar

O pé do paciente diabético é mais susceptível a lesões e machucados devido a outra complicação, a neuropatia diabética. Além disso, pode ser causado pela diminuição de circulação sanguínea no pé.

As lesões podem ser causadas por traumas como chutes e colisões e pelos próprios calçados que podem apertar o pé, criando calo ou formando ferimentos. Quando não tratadas, essas lesões podem piorar, levando a gangrena (falta de suprimento sanguíneo) e infecção do tecido por falha na cicatrização. Isso pode levar à amputação da área afetada.

Normalmente, se a ferida não for cuidada, ocorrerá o desenvolvimento de úlceras, que são lesões mais profundas ultrapassando a pele e podendo atingir, em alguns casos os músculos e os ossos.
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Fonte: http://www.claudjanesampaiocrato.blogspot.com

A verificação dos pés deve ser realizada pelo próprio paciente diariamente. O médico, durante as consultas de rotina, realiza a inspeção dos pés e verifica a sensibilidade nervosa dos mesmos.

Para prevenir essa complicação, precisa-se otimizar a circulação sanguínea do pé, através do controle da pressão arterial e dos níveis de colesterol. Além disso, devem ser realizados exercícios físicos e evitar o fumo. A pessoa deve principalmente, tomar cuidado para não machucar o pé, usar sapatos confortáveis e enxugar bem o pé após o banho e mantê-lo bem hidratado.

Normalmente trata-se o ferimento visando a sua cicatrização. Caso isso não ocorra, a parte do pé afetada será amputada.

Infarto do Miocárdio Editar

Com o aumento da glicemia, aumenta o risco de desenvolvimento de problemas no coração. Normalmente, a aterosclerose (deposição de gordura nos vasos sanguíneos) começa a se desenvolver mais cedo no diabético que nas outras pessoas. O estado diabético pode levar ao aumento do LDL (colesterol ruim), ao aumento da viscosidade do sangue e ao aumento dos fatores que coagulam o sangue, acelerando o acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos. Isso aumenta a chance de ocorrer o infarto do miocárdio.

O infarto pode se manifestar de várias formas, desde indolores até como dores fortíssimas, não tendo um sintoma característico. Normalmente, os pacientes devem realizar uma avaliação cardiológica anualmente.

Para prevenir, o paciente deverá manter as taxas glicêmicas dentro do ideal e realizar uma alimentação balanceada, realização de exercícios e abandono do fumo; que diminuem a formação da aterosclerose.

O tratamento será recomendado de acordo com a situação de cada paciente.

Acidente Vascular cerebral Editar

O acúmulo de gordura nos vasos sanguíneos devido ao aumento da glicemia também pode afetar o cérebro, causando a obstrução do vaso, diminuindo a passagem de sangue para o cérebro.

O estreitamento dos vasos sanguíneos pode levar a formação de coágulos que podem obstruir os vasos, evitando a passagem de sangue e conseqüentemente a de oxigênio para o cérebro, caracterizando o acidente vascular cerebral.

Para prevenção, é necessário a realização de acompanhamento da pulsação arterial durante os exames de rotina.

O tratamento, como do infarto do miocárdio é traçado a partir do quadro clínico de cada paciente.

Referências Editar

BOELTER, Maria Cristina. AZEVEDO, Mirela Jobim de. GROSS, Jorge Luiz. LAVINSKY, Jacó. Fatores de risco para retinopatia diabética. Arq Bras Oftalmol 2003;66:239-47.

GOLDMAN, ee. BENNET, J. Claude. Tratado de Medicina Interna. Editora: Guanabara Koogan S.A. 21ª edição, volume 2, p. 1425-1431, 2001.

GROSS, J.L. and NEHME, M. Detecção e tratamento das complicações crônicas do diabetes melito: Consenso da Sociedade Brasileira de Diabetes e Conselho Brasileiro de Oftalmologia. Rev. Assoc. Med. Bras. 1999, vol.45, n.3, pp. 279-284.

Sociedade Brasileira de Diabetes. Disponível em: <http://www.diabetes.org.br/complicacoes-cronicas> Acesso em: 17 de novembro de 2011.

VIGO, Katia Ochoa et al. Caracterização de pessoas como diabetes em unidades de atenção primária e secundária em relação a fatores desencadeantes do pé diabético. Acta Paul Enferm 2006;19(3):296-303.

VIGO, Katica Ochoa. PACE, Ana Emilia. Pé diabético: Estratégia para prevenção. Acta Paul Enferm 2005; 18(1):100-9

Links relacionados Editar

ABC da saúde – Pé diabético. Disponível em: http://www.abcdasaude.com.br/artigo.php?492

Jornal Brasileiro de Nefrologia – Nefropatia Diabética. Disponível em: http://www.jbn.org.br/detalhe_suplemento.asp?id=1180

Medicina Geriátrica- Diabetes e complicações. Disponível em: <http://www.medicinageriatrica.com.br/2007/07/31/diabetes-complicacoes/>

Portal Diabetes – Neuropatia Diabética. Disponível em: <http://www.portaldiabetes.com.br/conteudocompleto.asp?idconteudo=3263>

Portal São Francisco – Retinopatia Diabética. Disponível em: http://www.portalsaofrancisco.com.br/alfa/retinopatia/index.php

Vivendo com o Diabetes - Diabetes e problemas cardíacos. Disponível em: <http://vivendocomdiabetes.blogspot.com/2008/10/perigo-diabetes-e-problemas-cardacos.html>